Em busca de uma nova onda na moda


Em busca de uma nova onda na moda

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Semana passada, Antonio Banderas passou pelo Rio para seguir uma lista significativa de compromissos. Obviamente, após a bateria de entrevista que enfrentou em Cannes sobre seu novo filme, La Piel que Habito, de Pedro Almodovar, o eterno latin lover promoveu o perfume The Secret, de sua própria marca, e  abriu a exposição fotográfica Secretos sobre o Negro, mostrando-se um artista multifacetado.
“É muito elegante, ele está um passo a frente das demais fragrâncias masculinas pelo uso de notas orientais, que são extremamentes atraentes e sensuais. (…)Para seduzir você usa todos os sentidos, inclusive o olfato. Você não vai querer seduzir alguém que cheira mal! (risos) Quando você não gosta do cheiro da outra pessoa, sua reação é imediata. Mas não acho necessário tomar banho de perfume, aliás, odeio isso! Nada pior que entrar no elevador com alguém perfumado demais. Acho elegante usar uma quantia adequada; pode ser algo quase imperceptível, mas que está lá, faz parte de você”
Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, Banderas não só fala que não gosta da imagem de amante latino, mas ainda usa um termo chulo para dizer que não tem nada para manter esse título. Mas diante de suas fotos, o Antonio Banderas fotógrafo que abusa da sensualidade de suas modelos torna difícil de tirá-lo da figura muy caliente que costumamos associar ao ator.

Ainda na exposição, o ator diz, em entrevista a Rede Record, que retratou mulheres femininas, pois é isso que ele gosta. Mulheres femininas.
E aí adentramos a moda atual.
Há algum tempo a moda feminina está inserindo peças masculinas, bem como a moda masculina perambula pelas linhas femininas.
A indumentária feminina começou a masculinizar-se quando as mulheres adentraram em peso o mercado de trabalho, tendo seu ápice perceptível na década de 80.
E isso é uma estética lógica, afinal, foi a década da reação social ao final da Guerra do Vietnã. Quando os homens foram para a guerra, as mulheres saíram do papel de donas de casa e tiveram de manter o país funcionando… e isso implica desde papeladas até a indústria bélica, para fazer a munição que poderia ajudar seus maridos em campo. Com a volta dos homens e a reestruturação dos países, as mulheres se cansaram de ficar em casa e cuidar das crianças, passando a ocupar o mercado de trabalho e, para equipararem-se visualmente aos homens, a indumentária pendeu para as tendências masculinas, gerando o visual que se tem até hoje como básico para executivas, por exemplo. O Tailleur, o terninho, a camisa feminina em tecido plano, o mocassim. Até mesmo o sapato Oxford é datado desse período, e volta à moda nesta estação.
Os homens visitaram o guarda-roupas feminino pouco antes, com o Glam rock dos anos 70. E o glam, por si só, é uma reação ao rock progressivo e sua seriedade,  e muitos caracterizam como uma mistura entre o “Flower Power” e os Mods. Eles romperam os chatíssimos solos do progressivo e trouxeram elementos de cena para os shows, que passaram de concertos (em clubes, casas de shows ou tournés com outras diversas bandas) a espetáculo, com porpurina, cílios postiços, jogos de luzes e fumaça… e diante dessa estética, não havia como não modificar-se, e a seriedade de grandes bandas, como The Who, Black Sabbath e Beatles, bateu de frente com a performance em palco de David Bowie e New York Dolls.
Hoje, muitas vezes, você tem de se perguntar se está na área feminina de uma loja, ou comparar a linha de modelagem (afinal, se você entende um pouco de corte e costura, sabe que a diferença é muito significativa). Se a calça é skinny, tem de se prestar atenção no gancho, pois em tempo que a cintura subiu (como nos anos 80?), é necessário se cuidar isso… mas numa época de solidão, onde criam calças boyfriend para mulheres, com o intuito de assemelha-las ao visual de quem saiu e colocou a calça do namorado, o homem com a calça skinny justificaria essa troca de vestes.
Seria isso? A solidão de um cotidiano cibernético, onde cada vez mais os ônibus enchem de pessoas que não conversam entre si e não cedem cadeiras para idosos e grávidas? Seria essa a grande sacada que daqui a duas décadas definirá essa fase da moda? Pois mesmo a moda sendo cíclica, mesmo a moda volta e meia sendo lida e relida, ela é um argumento da época vivida. E, assim como você pode ser uma seguidora de catálogos e propagandas, você pode buscar a linguagem implícita em uma peça, apenas, num contexto social.
Então, repensando o que Antonio Banderas falou sobre a feminilidade, talez seja hora de se reassumir a essência sentimental e saber quem se é; dê espaço para a educação e respeito no seu cotidiano e use e abuse de saias, camisetas, sungas e bom humor.

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